Aniversário da Vó Déia - 82 anos

Aniversário da Vó Déia - 82 anos
Aniversário da Vó Déia - 82 anos

sábado, 17 de dezembro de 2011

As portas que se fecham (Bissol)

Quando a porta fechou e você se foi,
                                 senti que a partir daquele momento
                                 era somente eu
Depois de todo amor vem sempre a solidão
Não conseguimos mais nos entendermos
Havia um abismo entre nossos pensamentos
E as palavras não mais saiam
O brilho nos olhos há muito se dissipara
Eu sabia que sentiria saudades suas,
                                no entanto fui incapaz de expressar
                                meus sentimentos

Como farei amanhã?
Haverá força em meu corpo?
Conseguirei levantar-me desse desconsolo?

Depois da solidão é a morte ou outro amor
Um amor próprio talvez, singelo e respeitável
Preparando-nos melhor para o árduo e
                                 esperançoso amor ao próximo

Shopenhauer dizia que depois do amor e
                                 das mulheres vem a morte
Mas eu acredito que para uma alma elevada,
                                  que está sempre buscando a si mesmo,
                                  depois do amor e das mulheres vem
                                  sempre a vida
Entenderemos os signos, as estações,
                                  o trepidar das águas, o silêncio
                                  nos olhos
As nuvens, e o sol da solidão
As cidades e suas melancolias
Os pobres desesperados
A valentia dos sorrisos
O coração na boca, sem o medo credito
                                  de esconder os sentimentos

E depois de tudo, é olhar para cima
E sentir-se feliz com o próprio respirar

sábado, 5 de novembro de 2011

Serpente Emplumada (Bissol)

"Vamos circulando em cantos pro lado alado fechando em cíclicas cirandas presentes pretéritas futuras de pessoas oriundas em cantos de encantos infindos abraços em aços embargos apertados de quem ama e desama em fluxos periódicos meridianos poentes do mundo aurora aflora repetida mas sempre dividida na mesma reforma de forma circular solar secular postular do homem que encanta e descanta infante ao acaso do ocaso soberano em canto comum anelado ao alado devir do tempo conquistado em erótica comunhão repetida em cíclicas encíclicas do eixo refletido de Vênus com o Sol conjugados em infinitos movimentos circulares convergidos ao ponto único serpente emplumada procurada"


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Soneto à pureza do olhar de uma criança (Bissol)

(ao meu filho Vinicius)
A pureza do teu olhar é tudo que eu quero hoje em dia
É a única coisa sincera que acalma minha afasia
O mundo é tão cheio de subterfúgios e falsas intenções
Que a sinceridade do seu olhar é minha única salvação

É o instante único que o hoje se faz recuperado
Guardo meus escudos pois não me sinto mais isolado
É o amor que permite ver os outros com igualdade
Tudo flui como se voltássemos puros à tenra idade

Com você eu brinco achando que o dia é eterno
Tudo é tênue, sempre claro e não há céu ou inferno
Esse presente é só o que me importa depois de anos

A pureza do seu olhar desfaz todos meus desenganos
Depois, além, vem seu sorriso alegre e transparente
Flechando meu coração como um sol altivo e permanente

domingo, 11 de setembro de 2011

Menina dos meus olhos (Bissol)

Vi hoje a menina dos meus olhos
Ela era doce e meiga
era pássaro voando, amante companheira
Despertou em mim sentidos intocáveis
Quebrou as barreiras invisíveis
do eu que morria em mim mesmo

Seus olhos tinham o furor da aurora
Sua pele cheirava aroma de um lual
Nas suas mãos a dor incurável
solfejava as notas nupciais de Mendelssohn

Queria ser dela interminavelmente
Chegar do dia mais exausto e acolher-me
com sabores de que só existe o bem
Olhar seus olhos e enxergar o mundo de um outro prisma
Tocar sua boca e fomentar o amanhã

E quando já bem velho
escorar minha ossadura na sua e tornarmo-nos fortes
Dizer ao mundo, que apesar do tempo,
não desistimos de termo-nos e enfeitarmo-nos

domingo, 21 de agosto de 2011

Biscatedebifebebes (Bissol)

Engravatados, com a corda no pescoço
vamos ao boteco mais próximo
e bebemos o estoque de bebidas
Contemos as abobrinhas da semana toda
Bebidas, biscates, bíblias, bifes, ...
Bibocaborracheira de bifebebes

Loucura da juventude vigorosa
Cães lambendo o sangue
Nesta estranha extravagância
E o álcool quente
afogueando o hálito e os órgãos vitais

Adie-se presente, volte amanhã
Hoje não!

Bebericagem de desordeiros mamarões
E todos, no velho costume, vamos à farra
Bebendo com insaciáveis engulhos

Leite da loucura
Fragantes espectadores aprisionados na vida

O homem sem cabeça (Bissol)

A cabeça decepada bebia
de chops chops prostada na mesa de bar
embriagada e já sem condições sortidas
blasfemava o passado e agonizava o futuro

No descuido, saiu sem pagar
pois não tinha dinheiro no bolso
e nem bolso, e se o tivesse,
não teria mãos para sacá-lo

Saiu calmamente,
na maior cara de pau
(que era uma das únicas sensações que ainda tinha)
Riu de si mesmo e de todos os outros
e se foi pelos descaminhos da trilha verdadeira
em sua totalidade dilacerada, apartada do corpo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amor Imperfeito (Bissol)

Este amor imperfeito e inacabado que me deste é toda minha vida
A escultura imerecida da apoteose desse coração mendigo que suplica ramalhetes
Ficam as imagens dos instantes que nos beijamos e sorrimos
Que hão de durar para sempre em nossa mente
Como velas de um barco navegando às escuras

Me destes o entendimento dos enamorados, que tudo é um belo amanhecer
Que a vida e o amor é uma fumaça que abraçamos e nos esgotamos de prazer
A cor do amor passa mas deixa gravado em nosso coração sua aquarela
Que de repente é dia, e de repente é noite
E que isso não faz a menor diferença quando estamos de mãos dadas

O amor imperfeito é fogo frio, é ferida e fermento,
unidade e contradição, adeus e ressureição
É um paradoxo de símbolos em flechas que nos tresspassa alma e corpo
E expõe-nos às misérias humanas entre o instante aqui e o além
Delírios e sobriedades, solilóquios da esfinge no avesso do avesso do avesso
Em que desmontamos nossos castelos e soltamos nossas amarras
Metamorfoses da vida nos preparando para a morte
O amor é essa pira funerária
A plenitude do ser que entende sua imperfeição e nos faz querer viver somente de pura poesia

Tú iluminastes meus dias
Me fizestes sangrar e nunca me dissestes realmente a que veio
E nesse holocausto sentimento de amor e não-amor, me refiz
em cada soluço e em cada êxtase
Preparando-me para a grande pergunta que a vida um dia irá nos fazer:
trouxestes a chave?