quinta-feira, 8 de março de 2012

Vejo flores em você (Bissol)

Uma primavera brotou em minha vida
Entrou inesperadamente como áster
e com beijos-pintados floriu meu caminho
colorindo todos os cravos-de-amor

Luz de girassol, sorriso sempre-viva
Sua pele exala o jasmim-do-dia e o jasmim-da-noite
mas se maltratada enreda jasmim-tabaco e
se afasta begônia enclausurada

Chora crisântemos de dor e lágrimas póstumas de lírio
Quando encantada se abre feito maria-sem-vergonha
E se bem amada floresce rosa-sempre-florida

Tem olhos de amor-perfeito, segredos de azaléia
e a sobriedade de antúrio

Mas para ter seu coração é preciso cuidados de orquídea,
riqueza de calanchoe, crista-plumosa da celosia
e a ousadia da helicônia que se abre em êxtase ao beija-flor

Delicada como os gerânios e rara flor da bromélia
Você é o hibisco de um povo em busca de símbolos
video

sábado, 25 de fevereiro de 2012

INEXPRESSÍVEL (Bissol)

É impossível expressar o inexpressível
Explicar o indizível, calar algo mudo
Vazio, vazio, vazio

Nada não quer dizer nada
E tudo pode ser tudo e também pode ser nada
Mas eu amo você mesmo assim
E isso me diz tudo (e também me diz nada)

A vida continua,
Mas o que vem depois?... depois?...
Depois, está tudo escrito na estrelas
Leia-as e você entenderá o segredo do universo

Veja o lado bom
Talvez não haja lado bom mas mesmo assim procure o lado bom

O que fazer?... fazer?...
Quem me dera nunca tivesse nascido
Mas agora é preciso ir até ao fim

A vida não pode ser somente isso
Tudo é tão pouco ...
Depois do nada deve haver um tudo-mais-além
Além?... tem que existir algo muito mais que isso
É o grande dilema de querer ser porto e também ser mar

Suave, doce e suave
Nada na vida é prático
Nada, nada, nada

Que abraço lindo, vigoroso
Sou todo seu meu amor
Não vá, por favor, não vá!!
Sou um tonto... um tonto... um tonto...
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sábado, 28 de janeiro de 2012

Não me venha falar em Deus se você não carrega Deus no seu dia a dia (Bissol)

Não me venha falar em Deus se você não carrega Deus consigo no seu dia a dia
Deus não é um produto de propaganda e marketing a ser vendido ou leiloado
Deus tem que ser respirado e vivenciado individualmente
Assim como o ar e a terra nos suportam, é Deus no espírito,
                 uma vontade de querer
Uma vontade de fazer bem e de não ter medo de assumir aquilo que és
De se entregar plenamente em tudo que fazes
De ter prazer em trabalhar, de aceitar os desafios, de saber os limites
De amar quem te ama e de cuidar de quem te necessita
De ser um superhumano, não de aço, mas de poesia,
                 que não estremece perante os desafios,
                 que chora, que ri, que explode,
                 que vence seus medos
                 mas acima de tudo que ama
                 e se busca constantemente
Que sabe se pôr em cada ser e sentir suas necessidades
                de ser uma criança desamparada,
                de ser um velho solitário,
                de ser um adulto drogado,
                de ser uma mulher machucada
De ser os pássaros, as árvores, as flores, os montes, o sol, o luar, e até uma formiga
E se você me diz que Deus é tudo isso, eu lhe respondo como o Guardador de Rebanhos:
               "então acredito nele a toda hora,
                e minha vida é toda uma oração e uma missa,
                mas chamo-lhe de flores e árvores e montes
                e sol e luar... porque, assim ele se fez para eu o ver"

Como já previa Nietzsche em sua filosofia
               quanto mais o homem tenta vender a ideia de Deus
               mais ele o mata
A verdadeira essência de Deus está morrendo
E o que resta são apocalípticas previsões tentando nos vender um Deus de néon
E não me venhas dizer que és ateu, pois o homem na
               fraqueza ou perante a morte sempre se agarra
               algum manipanço qualquer

Se queres que eu conheça seu Deus, não precisa falar dele explicitamente,
               Deus está nas entrelinhas:
               no seu dia a dia, no seu bom dia,
               no amor que sente por seus filhos,
               no carinho que tem por sua esposa,
               no respeito que tem pelos mais velhos,
               na compaixão que tem pelos desamparados,
               na sinceridade que tem com seus amigos,
               na responsabilidade que tem por seu trabalho,
               na alegria que mantém por simplesmente estar vivo
Nos seus pequenos gestos eu conhecerei seu Deus
               e saberei se o seu Deus também é o meu Deus
               (independente da forma física que nossa mente atribua a ele)
               e assim poderemos ser eternos amigos e irmãos
               e ensinaremos os desígnios do Senhor a quem
                                               souber olhar para dentro de nós

sábado, 17 de dezembro de 2011

As portas que se fecham (Bissol)

Quando a porta fechou e você se foi,
                                 senti que a partir daquele momento
                                 era somente eu
Depois de todo amor vem sempre a solidão
Não conseguimos mais nos entendermos
Havia um abismo entre nossos pensamentos
E as palavras não mais saiam
O brilho nos olhos há muito se dissipara
Eu sabia que sentiria saudades suas,
                                no entanto fui incapaz de expressar
                                meus sentimentos

Como farei amanhã?
Haverá força em meu corpo?
Conseguirei levantar-me desse desconsolo?

Depois da solidão é a morte ou outro amor
Um amor próprio talvez, singelo e respeitável
Preparando-nos melhor para o árduo e
                                 esperançoso amor ao próximo

Shopenhauer dizia que depois do amor e
                                 das mulheres vem a morte
Mas eu acredito que para uma alma elevada,
                                  que está sempre buscando a si mesmo,
                                  depois do amor e das mulheres vem
                                  sempre a vida
Entenderemos os signos, as estações,
                                  o trepidar das águas, o silêncio
                                  nos olhos
As nuvens, e o sol da solidão
As cidades e suas melancolias
Os pobres desesperados
A valentia dos sorrisos
O coração na boca, sem o medo credito
                                  de esconder os sentimentos

E depois de tudo, é olhar para cima
E sentir-se feliz com o próprio respirar

sábado, 5 de novembro de 2011

Serpente Emplumada (Bissol)

"Vamos circulando em cantos pro lado alado fechando em cíclicas cirandas presentes pretéritas futuras de pessoas oriundas em cantos de encantos infindos abraços em aços embargos apertados de quem ama e desama em fluxos periódicos meridianos poentes do mundo aurora aflora repetida mas sempre dividida na mesma reforma de forma circular solar secular postular do homem que encanta e descanta infante ao acaso do ocaso soberano em canto comum anelado ao alado devir do tempo conquistado em erótica comunhão repetida em cíclicas encíclicas do eixo refletido de Vênus com o Sol conjugados em infinitos movimentos circulares convergidos ao ponto único serpente emplumada procurada"


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Soneto à pureza do olhar de uma criança (Bissol)

(ao meu filho Vinicius)
A pureza do teu olhar é tudo que eu quero hoje em dia
É a única coisa sincera que acalma minha afasia
O mundo é tão cheio de subterfúgios e falsas intenções
Que a sinceridade do seu olhar é minha única salvação

É o instante único que o hoje se faz recuperado
Guardo meus escudos pois não me sinto mais isolado
É o amor que permite ver os outros com igualdade
Tudo flui como se voltássemos puros à tenra idade

Com você eu brinco achando que o dia é eterno
Tudo é tênue, sempre claro e não há céu ou inferno
Esse presente é só o que me importa depois de anos

A pureza do seu olhar desfaz todos meus desenganos
Depois, além, vem seu sorriso alegre e transparente
Flechando meu coração como um sol altivo e permanente

domingo, 11 de setembro de 2011

Menina dos meus olhos (Bissol)

Vi hoje a menina dos meus olhos
Ela era doce e meiga
era pássaro voando, amante companheira
Despertou em mim sentidos intocáveis
Quebrou as barreiras invisíveis
do eu que morria em mim mesmo

Seus olhos tinham o furor da aurora
Sua pele cheirava aroma de um lual
Nas suas mãos a dor incurável
solfejava as notas nupciais de Mendelssohn

Queria ser dela interminavelmente
Chegar do dia mais exausto e acolher-me
com sabores de que só existe o bem
Olhar seus olhos e enxergar o mundo de um outro prisma
Tocar sua boca e fomentar o amanhã

E quando já bem velho
escorar minha ossadura na sua e tornarmo-nos fortes
Dizer ao mundo, que apesar do tempo,
não desistimos de termo-nos e enfeitarmo-nos